sexta-feira, 11 de abril de 2008

Delírio

Num momento de solidão, esbarrei comigo dentro do quarto.
- Que se passa?
- A vida. É a vida que se passa...
Esquivei e continuei a caminhar.
- E que mal há?
- Onde estão as as coisas, as pessoas, os dias? Eis o mal que há: já não haver nada.
- Passam por você a todo momento, as coisas, as pessoas e os dias...
- Frios e distantes.
- Talvez não. Talvez você o seja.
Sentei na cama.
- Tanto me esforço pra ser alguém bom...
- Bom pra quem?
- Para os outros.
- Necessita demais dos outros e já mal conversa comigo.
- Não faça drama, estou sempre aqui.
- Frio e distante.
Deitei.
- Frio talvez, mas como estaria distante de mim?
- Aí está o problema. Como pode se afastar tanto de si?
- Não me afasto.
- Apenas não percebe. Por isso anda tão só.
Refleti por uns minutos, fechei os olhos e dormi.